A História da MyDear

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A História da MyDear

Mensagem  mydearfriendjes em Qua Maio 15, 2013 3:33 pm

Bom, gente, eu estive pensando sobre isso, e resolvi contar a minha história. 
Já aviso que é um texto longo e não faz diferença. Não precisa ficar me confortando. Se quiser de uma história ruim pra passar o tempo, está ai:

Meu pai morreu em 2008. Até hoje eu choro em lembrar de certas coisas relacionadas a ele. Foi certamente a maior tragédia da minha vida, uma vez que meu pai era (e ainda é) meu herói. Ele era aquele que segurava a minha mão e me dizia que sou linda, e da palavra dele eu nunca duvidaria. Me mantia a menina feliz e de cabeça erguida que eu era, excelente nos estudos, com qualidades unicas e habilidades incriveis, a filha que todo pai quer.
Ele morreu numa segunda-feira, um dia depois do dia dos pais daquele ano. Segunda-feira, 11 de agosto. E eu lembro daquele dia como se fosse hoje. Foi no velório dele, que aprendi que é melhor sorrir do que mostrar a sua fraqueza, assim ninguém te enche o saco.

Depois de uma semana sem ir pra escola, eu voltei, com todas as tarefas passadas naquela semana feitas e sorrindo, como era de se esperar de uma menina tão perfeita como eu. Mas dessa vez, o meu sorriso era uma mentira, a mentira que aprendi a mentir na semana isolada das aulas.
O resto do ano se seguiu, pois por mais que esteja doendo, o tempo não espera. Fechei o ano com o boletim tão azul quanto meu estado de espírito.

O problema começou no ano seguinte. Pela primeira vez, eu estava gostando de um menino, e eu fazia de tudo para agradá-lo. Mas eu ainda era tão inocente quanto uma flor, e não compreendia que ele pisava em mim. Estava desprotegida agora. E eu me tornei uma grande idiota que seguia ele pra todo lado. Logo, as meninas que eram colegas dele há mais tempo (portanto mais proximas dele) começaram a caçoar de mim. 
Diziam que eu era feia, gorda, uma retardada sem noção e que ele nunca ia gostar de um monstro como eu. E sem o amor do meu pai pra me manter no lugar, eu estava totalmente vulnerável. Essas palavras entraram na minha mente de um jeito que até hoje não sairam.

Eu chorava de noite e só me perguntava o porquê de toda essa merda estar acontecendo comigo e porque deus não acabava de uma vez com minha vida podre. Foi ai que, inocentemente, meu vício, o cutting, começou. Primeiro, um "A" (incial do menino) feito fundo na mão, ainda tenho a cicatriz, mesmo que seja quase impossível de enxergar. Junto com isso, a compulsão alimentar. Eu comecei a usar a comida pra preencher meu vazio. Minhas notas baixaram, não que fossem vermelhas, mas o rendimento não era o mesmo.
Bem no fim desse ano, eu fiz uma amizade com uma aluna que tinha acabado de chegar. Ah, nós eramos as melhores amigas de todos os tempos. Eu amava ela, não no sentido de romance, mas no sentido de amizade. Nos anos seguinte, ela ainda era a minha melhor das melhores, aquela que estava ao meu lado. Mas eu ainda era triste no fundo, eu sempre dizia que queria morrer e essa "depressão" acabou pegando nela também. Ambas eramos meninas felizes juntas, mam infelizes por dentro e nós duas sabíamos das infelicidades uma da outra.

No ano de 2011, eu fiz uma dieta, meu primeiro vislumbre de "ana e mia". Eu passava fome e só comia uma refeição ao dia. Tomava litros de agua e me exercitava como se não houvesse amanhã. Em pouco tempo, perdi 9 quilos. Fiquei com 63kg. E eu estava magra. ao ponto dos meus ossos do quadril aparecerem quando eu me deitava. Claro que não era o suficiente, meus ossos tinham que aparecer mesmo que eu estivesse em pé. Eu precisava chegar a 47kg. Mas novamente, me descuidei, voltei a comer pra ficar feliz.
Em julho, eu precipitadamente decidi que mudaria de colégio no ano seguinte. E isso afetou minha vida drasticamente.

Em agosto, eu voltei a me cortar, só um pouco, nada demais. E no começo de setembro, ela apareceu com o braço direito cheio de cortes (ela era canhota). Por ódio do que a minha amiga do coração tinha feito a si mesma, eu fiz peguei um canivete e fiz o mesmo com meu braço esquerdo, como se dissesse: "a sua dor me fere junto." Ela tinha emagrecido muito... Foi o inicio da distimia se manifestando do lado de fora dela.
Ela queria se prender cada vez mais a mim, já que eu ia mudar de colégio. Ela queria que eu ficasse com ela e não fosse embora, porque eu era a pessoa mais importante na vida dela, a amiga que segurou a mão dela. Mas eu estava cega pela euforia dos impulsos, tipicos meus.

A partir do meio daquele mês, uma relação diferente nasceu entre nós, uma relação carnal. Ela descobriu que podia me manipular usando o sexo, me fazendo ver como seria muito melhor e prazeroso se ficasse ao lado dela.
Acontecersm muitas coisas, fomos descobertas, fui obrigada a brigar com ela e de qualquer jeito me fariam mudar de colegio, afinal, onde ja se viu tal sacrilégio? Uma menina namorando outra. Isso não é coisa de Jesus. 
Claro que não era assim que eu pensava, eu amava a menina e ponto final. Mas minha mãe via daquela forma.
Fui obrigada a brigar com a garota, fiquei um mês sem a olhar na cara, mas nunca deixei de amar. No ultimo dia de aula, eu lhe presenteei com um hipopótamo de pelúcia (que eu disse ser o filho fruto do nosso amor), uma carta e um pacote de suas balas favoritas. "Porque você é minha namorada, lembra?" foi o que eu disse. Ela me abraçou e chorou de felicidade.
Mas o destino não foi tão generoso, pois eu já ia mudar de colégio.

Eu me assumi pra minha mãe no natal, mas não me senti muito aceita.
Nos primeiros meses de 2012, eu e a menina nos vimos, e éramos felizes no pouco tempo que podíamos passar juntas.

Mas a tristeza em mim estava se agravando desde quando voltei a me cortar. Eu me vi gorda mais uma vez, pesando 75kg. 
Fazia um tempo que eu conheci o termo por meio da minha, então googlei "ana e mia" e encontrei o antigo fórum, o "Confissões Ana."
Mas eu estava mais triste do que nunca, todas as coisas que eu tinha passado se somaram dentro de mim e criaram um rombo até hoje impreenchível no meu peito. 
O cutting se tornou frequente e eu conheci a mia. Claro que não usufruia muito dela, mas agora sabia usar esse gatilho na minha garganta capaz de fazer as calorias voltarem pro lado de fora. Meu relacionamento com minha namorada enfraqueceu.

Durante todo o primeiro semestre de 2012 eu tentava perder essa banha e não saia da casa dos 70. Em algum ponto do semestre seguinte, eu cansei do fracasso e fiquei longe do forum. Grave erro.
Voltei no fim do ano com 85kg. Se eu deitasse numa ladeira tenho certeza de que sairia rolando.
Eu consegui perder 12kg, chegando a 73kg. Mas por algum motivo, agora estou salteando ente 75 e 76.
Em fevereiro desse ano, eu comecei a miar todas as semanas, pelo menos duas vezes por semana, eu me viciei na mia porque sou uma péssima ana.

Me sinto um lixo ambulante. É como se a vida de todos pudesse ser melhor se eu simplesmente morresse. Eu sou gorda e feia, sem grandes planos pro futuro, aos poucos fui desistindo dele.
É engraçado como a menina perfeita se tornou um grande pedaço de merda e gordura que devia deixar de existir e deixar todo mundo finalmente ser feliz.
Me sinto a pedra no caminho. Sem mim seria melhor pra todos. Meus colegas não teriam que me suportar, Minha mãe não teria tanta despeza e decepção. Meu irmão não precisaria ficar ralhando comigo toda hora porque só faço merda. Minha namorada (infelizmente, agora ex) não teria que sofrer por eu ser tão ordinária e ai vai...
É como se eu andasse na rua e as pessoas zombassem de mim, me detestassem mentalmente. E todas as coisas ruins que acontecem são culpa minha. As vezes eu sinto vontade de pedir desculpas só pelo falo de ainda respirar.

Não sei exatamente quando comecei a me sentir assim, se soubesse, eu diria. Mas eu sei que é um lixo. Por isso eu tento ajudar as pessoas e fazê-las sorrirem. Porque eu sei como é se sentir pra baixo, ainda mais o tempo inteiro.

Obrigada pra quem leu até aqui. Isso é só uma parte, um resumo do que é mais "importante" na minha vida. 
Não precisam tentar me deixar melhor nem nada, eu só estou entediada e decidi postar.


There's just no reason for you to let life bring you down.

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